Aminha visita a nascente do rio meia ponte

Naquela noite, Aminha demorou a pegar no sono pois estava ansioso para que o dia amanhecesse logo para a grande aventura: a visita à nascente do rio meia ponte, que nasce na Serra dos Brandões, no município de Itauçu. Aminha se recordava bem de tudo isso, pois fizera muitas perguntas a seu Pai sobre a nascente. 

Ele sabia que ele desagua no Rio Paranaíba e que em 2006 foi descoberta uma nova nascente do Rio no município de Taquara, a nascente de Itauçu, que fica a mil metros de altitude. Além disso, sabia que a bacia hidrográfica do rio Meia Ponte está localizada na região centro sul do estado.

Revirando na cama e com a cabecinha cheia de informações, Aminha não conseguia dormir. Já tarde, sua Mãe se surpreendeu ao ir até o seu quarto e descobrir que ele continuava acordado, então disse:

 - Filho, procure dormir e descansar porque senão amanhã você não vai conseguir aproveitar o passeio, só faltam mais algumas horas.

Aminha procurou ficar quieto enquanto sua mãe deslizava as mãos pelos seus cabelos e logo adormeceu. 


Antes de sair do quarto, a mãe ainda deu uma olhada nas roupas, botas e chapéu que Aminha havia colocado bem pertinho da cama, deu um meio sorriso, voltou e beijou mais uma vez seu pequeno. Depois desligou a luz, fechou a porta bem devagar e foi para o seu quarto dormir também. 

Na manhã seguinte, Aminha quase perdeu a hora por ter demorado tanto para dormir, mas assim que acordou pulou da cama, lavou o rosto, escovou os dentes e foi vestir sua roupa nova comprada exclusivamente para a ocasião: calça jeans, camisa manga longa, botas e um chapéu de palha que, segundo seu pai, iria protegê-lo do sol. Já devidamente vestido e com o chapéu na cabeça, o menino foi para a cozinha onde sua mãe, seu pai e seu avô Manoel o esperavam tomando um café. A família não pôde esconder o sorriso ao vê-lo todo feliz e arrumado.

- Perdeu a hora Aminha? - Perguntou o Pai.

- De jeito nenhum, papai. Já estou pronto e nem quero tomar café, não estou com fome. Podemos ir? - perguntou Aminha.

Sorrindo, seu Avô interveio:

- Tome sua benção, Aminha. Sente-se e tome seu café tranquilamente, ainda é cedo e temos muito tempo. 

Enquanto Aminha tomava café, sua mãe, dona Maria, continuava a colocar o lanche na cesta para o piquenique que fariam perto da nascente. O dia prometia! O sol nascia brilhante como sempre e, mesmo sendo cedo, o calor já podia ser sentido, mas como já estavam acostumados ao calor de Goiânia eles nem ligaram. Em uma bolsa térmica, a família estava levando vários tipos de sucos fresquinhos feitos com as frutas do próprio quintal e enquanto dona Maria se preocupava em não esquecer nada, o pai, senhor Amir, pegava a cesta para colocar no carro e adiantar a viagem. Aminha havia terminado de tomar o seu café e se dispôs a ajudar no que fosse preciso. Sorrindo, sua Mãe agradeceu e lhe entregou o chapéu que ele havia tirado ao sentar-se à mesa, então o menino o colocou na cabeça, seu avô Manoel pegou a bolsa em que estavam os sucos e todos entraram no carro e seguiram rumo a Itauçu. A viagem era relativamente curta, mas eles iriam devagar para curtir as paisagens.

A família chegou ao destino bem cedo, então eles pediram algumas informações a respeito da visita à nascente e depois se encaminharam para a Serra do Brandão. Chegando finalmente à nascente, todos pararam para ver aquele espetáculo a céu aberto, uma verdadeira obra prima feita pelo arquiteto do universo! A água que descia do moro era tão pura e cristalina que Aminha perguntou:

- Papai, posso beber água da nascente? Estou com muita sede.

Sorrindo, o pai disse:

- Sede, Aminha?

- Sim, Papai. É porque tomei pouca água em Itauçu. 

Eles se aproximaram um pouco mais da água e o pai lembrou Aminha das recomendações que obtiveram a respeito da visitação a nascente:

- Filho, temos que seguir o protocolo à risca!

- Sim, Papai. Eu entendi tudo!

Nesse momento, dona Maria os chamou e entregou um copo reutilizável para Aminha que imediatamente o encheu e bebeu com vontade, colocando as mãos naquela bica d’água refrescante. Os respingos de água molharam suas roupas, mas tudo era diversão!

Aminha não cansava de olhar aquela água que vinha do alto do morro e chegava onde ele estava. Depois de um tempo, seu pai o chamou, mas Aminha parecia hipnotizado, então o pai chamou novamente e disse para ele encher o copo de água e levar para o avô. Aminha encheu o copo e, ao virar muito depressa, acabou caindo, pois suas botas estavam atoladas no barro. Nesse momento, o menino se viu entre a água que caia e o barro que prendeu suas botas e o copo de água se desprendeu de suas mãos. Preocupado, seu pai se levantou de imediato e perguntou se ele havia se machucado. 

- Que nada, Papai! – Respondeu a criança sorrindo. - Foi muito divertido. Olha como estou!

Seu pai acabou sorrindo também ao vê-lo todo sujo. Sem segurar o riso, o avô falou:

- Querendo tomar banho, Aminha? 

- Não é má ideia, Vovô, mas não pode, né? – Aminha questionou. 

O pai então respondeu que ele poderia entrar na água somente para se lavar e pegar o copo que havia caído. Dona Maria, que já previa que algo assim poderia acontecer, pegou uma toalha e roupas secas para o filho. O senhor Amir, vendo que sua esposa pensara em tudo, disse:

- Então vamos tirar esse barro, Aminha. 

Ele colocou o menino debaixo da queda d’agua, enquanto Aminha gritava de alegria. Mesmo já limpo, ele queria continuar brincando na água, mas seu pai disse que não, pois eles estavam indo lanchar.

Enquanto comiam, Aminha perguntava aos mais velhos como uma água tão limpinha, que pode ser ingerida sem nenhum tratamento na nascente, se transforma naquela água suja e às vezes até fétida. Sr. Amir respondeu:

- Aminha, isso acontece quando o rio passa em Goiânia e é causado por vários fatores que tem tudo a ver com o homem: desmatamentos, inclusive das matas ciliares; descarte de lixo perto e dentro de córregos, do rio e de seus afluentes; agrotóxicos usados de maneira irresponsável que também vão parar dentro das águas contaminando muitas vidas, inclusive a do próprio homem; esgotos domésticos e industriais que também são descartados de forma incorreta. Tudo isso mostra a falta de educação e de consciência de grande parte da população e é muito triste ver que a ganância leva o ser humano a destruir a natureza e poluir um rio tão importante para Goiânia e todos os municípios por onde ele passa.

- É verdade! - Concordou o senhor Manoel - Todos deveriam proteger e cuidar da natureza, pois prejudicando as nascentes e rios estamos nos prejudicando e condenando as futuras gerações. A natureza cobra e o preço será muito alto. 

Aminha pediu para dar uma volta já que terminara de fazer o seu lanche. Os adultos concordaram, desde que ele ficasse onde pudessem vê-lo. Pouco depois que o menino saiu, seus pais ouviram sua voz e perceberam que ele parecia um pouco irritado, então se levantaram de imediato e o senhor Amir disse:

- Fique tranquila, Maria, eu e meu pai vamos lá ver o que está acontecendo.

Dona Maria começou a recolher o que restava do piquenique, inclusive o lixo e os Recicláveis, pois levaria tudo para Goiânia e daria a destinação correta. Quando Amir e seu pai chegaram até Aminha, viram o garoto apontando para o chão onde outro garoto havia jogado uma garrafa vazia no chão. Aminha queria que ele a recolhesse e argumentava que ali não era permitido jogar nenhum tipo de resíduo que pudesse poluir a nascente. No caso da garrafa, o certo seria levar para a cidade e encaminhar para a reciclagem. O pai de Aminha pediu que ele se acalmasse e perguntou para o garoto por que ele havia jogado o lixo no chão. 

- É só uma garrafinha de suco! – disse o menino.

Com muito cuidado, o senhor Amir explicou sobre o erro de descartar objetos em lugares inapropriados, principalmente algo que demora anos para se decompor como uma garrafa, objeto que pode ser reciclado e gerar renda para famílias carentes. Ouvindo isso, Aminha se abaixou e pegou a garrafinha com ar de quem sabe o que faz, dizendo: 

- Vou levá-la para onde você pode ajudar e não prejudicar o meio ambiente, garrafinha! Você será reciclada, ou seja, não será tratada como lixo, pois lixo é só aquilo que não vale dinheiro. Isso foi meu pai que me ensinou. 

O pai de Aminha prosseguiu na conversa com o garotinho, explicando que o processo de reciclagem, além de diminuir a quantidade de lixo que causa tantos transtornos, ajuda a natureza e gera renda para as famílias carentes. Aminha pediu:

- Papai, posso continuar explicando no lugar do senhor? 

O pai concordou e Aminha começou a explicação:

- Amiguinho, você pode começar fazendo isso dentro de sua casa, é só pedir para sua mamãe e seu papai te ajudarem a separar o lixo comum dos recicláveis que são os metais, os plásticos, o papelão, as embalagens longa vida, os vidros, o isopor e várias outras coisas. Essas embalagens devem estar limpas e secas e podem ser colocadas todas juntas em um mesmo recipiente, já que depois a cooperativa fará a separação dos resíduos corretamente. Você deve entregar esses para a coleta seletiva de Goiânia. O caminhão passa uma vez por semana na sua rua e para saber o dia correto é só ligar na Comurg. 

 Envergonhado, o garotinho olhava para baixo e seus pais, que tinham vindo ver o que acontecia, estavam ouvindo calados. O garoto que se chamava Vinicius se desculpou e disse que a partir daquele dia iria se esforçar para não jogar coisas nos lugares errados, além de fazer igual ao Aminha: Reciclar. Ele disse inclusive que tem um coleguinha de escola que é filho de um catador de recicláveis e que de agora em diante iria fazer de tudo para ser o melhor amigo dele na escola, pois ele nunca tinha percebido o bem que o catador faz para a mãe natureza. Vinícius percebeu que os catadores deveriam ser tratados como heróis pela população.

- Mamãe e papai, vocês me ajudam? – Perguntou Vinícius aos seus pais que estavam ao seu lado escutando toda a conversa.

- É claro, meu filho! - Responderam os Pais orgulhosos pela atitude de Vinicius. 

Sua Mãe ainda disse:

- Vamos começar por aqui! Vou fazer como a dona Maria, levar de volta o que sobrou do lanche, todas as embalagens, e dar destinação correta para tudo. Depois, Vinicius, vamos continuar em nossa casa e na empresa de seu pai, separar tudo o que for reciclável e dar destinação correta. Esta vai ser uma das heranças que vamos deixar pra você, um meio ambiente mais saudável! – E completou – Hoje aprendi uma grande lição! Na correria do dia a dia não prestamos atenção nesses detalhes que no final fazem toda a diferença, principalmente na vida de nossos filhos. Agradeço a vocês dona Maria, senhor Amir e principalmente ao Aminha que abriu nossos olhos para esta questão tão grave. 

Ouvindo isso, Aminha ficou todo feliz. Nascia ali uma grande amizade entre as duas famílias! A partir daquele dia, Aminha ganhou mais que um amiguinho, ganhou também um aliado na defesa do meio ambiente. Como Vinicius mora em Itauçu, os dois trocaram os números de Whatsapp de seus pais para poderem manter contato. Além disso, as mamães se comprometeram a criar contas no Instagram e no TikTok, assim os meninos terão onde mostrar suas ações em prol da natureza. Senhor Manoel, todo orgulhoso, disse:

- Essa parceria me deixa todo orgulhoso e quem mais vai ganhar, além da mãe natureza, são as futuras gerações. Parabéns, meninos! 

Amiguinhos, não pensem que a parceria dos dois ficaram só na conversa. Não deixem de acompanhar as novas histórias do Aminha! Até a próxima!